MV/C+V
A exposição MV/C+V, patente no Centro Cultural Vila Flor, apresenta uma grande diversidade de conteúdos, no âmbito das artes plásticas, desde fotografia a instalações interactivas, passando pelo desenho, pela performance e pelo vídeo. Todas as obras são da autoria de artistas vimaranenses, doze no total, que para além da naturalidade têm em comum o facto de terem estudado na ESAP de Guimarães. O nome escolhido, a fórmula do lucro, contrapõe-se de forma um pouco irónica à exposição propriamente dita, pela variedade das obras expostas, nas quais não é possível encontrar uma regra ou impor uma fórmula, de tal forma são tão diferentes e autênticas, tanto pelos formatos utilizados como pelos seus conceitos.
Destaco o trabalho fotográfico de Carlos Lobo, o vídeo de Luís Ribeiro e a instalação de Fúlvio Mendes, como peças mais marcantes desta exposição, que, enquanto obras de arte abertas e polissémicas, deixam espaço a que o observador se torne também criador no momento em que contempla a obra e projecta nela os seus anseios e experiências, atribuindo-lhe uma significação pessoal.
Na série de fotografias «Far Far East», de Carlos Lobo, encontramos paisagens naturais e urbanas asiáticas pela perspectiva do artista, que nos levam a reflectir sobre a ausência de realidades universais, tanto pelas diferenças encontradas entre as paisagens do «far far east» e a europa ocidental mas também, e sobretudo, por essas realidades nos surgirem sempre filtradas pela subjectividade, neste caso concreto do fotógrafo, na sua escolha de enquadramentos e de composições.
O vídeo «Different Ways to Distract You», de Luís Ribeiro, prende fixamente a atenção do espectador com as frases «olhe atentamente» e «viu o que aconteceu?» - não será esta a principal distracção criada pelo artista? O observador procura teimosamente por algo que talvez nem exista, abstraído do real e cegamente concentrado em procurar respostas para o desafio lançado no início da projecção. A estes factores primordiais de distracção aliam-se o ambiente sonoro criado e os diferentes efeitos de vídeo, como a dupla projecção.
Finalmente, a obra de maior destaque da exposição, tanto pela sua originalidade, pelo seu carácter conceptual mas também pelo impacto criado no público, a instalação «Em Finito» de Fúlvio Mendes. Tudo começa com o jogo de palavras do próprio título: «Em finito»/Infinito, alertando-nos para o que poderemos encontrar para lá da porta. No escuro e sem grandes noções espaciais, perdemo-nos de nós próprios, sem percepção da verdadeira distância a percorrer, em finito mas num caminho aparentemente sem fim. Ao longo do percurso o observador toma parte essencial do objecto artístico e encontra-se consigo próprio, num jogo de sensações em que toma consciência dos seus limites corporais e enfrenta os seus medos. E ao final do túnel…ele próprio.
0 Comentários:
Enviar um comentário
[<Voltar]