23 janeiro 2009

o Espaço das Relações

É interessante constatarmos a influência que o Espaço tem nas relações sociais…Não pretendo tornar este post num ensaio antropológico, apenas uma breve reflexão sobre a forma como vivenciamos o espaço.

Embora nem sempre refiramos o espaço quando falamos de relações, a verdade é que se trata de uma realidade sempre presente. Aliás, não existimos fora da espacialidade, o que é logo a priori uma condicionante.

Diferentes construcções espaciais influenciam as nossas atitudes e as nossas formas de agir e isso é bem visível nas salas de Projecto, por exemplo, onde passamos a maior parte do nosso tempo. As dimensões da sala, a disposição dos estiradores, a iluminação e o equipamento favorecem a comunicação, o debate, o trabalho em grupo.

Interessa-me particularmente o espaço enquanto representação social: a Escola de Arquitectura enquanto entidade simbólica e não material, que nos leva a reconhecer-nos como membros de um grupo comum e com identidade própria, mesmo fora de portas.

Enquanto (futuros) arquitectos temos nas mãos a capacidade de mudar o mundo, melhorando as condições espaciais em que as relações se desenvolvem. Como defendia Paul Scheerbart, Bruno Taut e Adolf Behne, é à arquitectura que cabe o papel criador de uma nova cultura, de uma sociedade mais pura e despojada do ódio.

5 Comentários:

Blogger Paulo Mendes disse_

Concordo, plenamente contigo, e apesar de achar antropologia um pouco seca, valeu a pena por nos transmitir a ideia de relações somente no espaço, aliás, quando falamos de algum acontecimento, ou apenas relembramos uma memória, começamos sempre por explicar ou indicar o sitio e a sua espacialidade.

23 janeiro, 2009 22:22

 
Blogger Jacob disse_

Não esquecer que cultura não é só arte, utilidade, espaços, etc. É sobretudo informação que conseguimos captar. Hoje em dia a maior parte dos biólogos consideram que muitas espécies têm cultura. Uma leoa que ensina uma cria a caçar, por exemplo. Ou seja, informação que passam sem ser apenas geneticamente. Assim, vocês, nós, como artistas, arquitectos, engenheiros, criadores, cientistas, injectamos informação, nova ou redundante, na sociedade. Cultura, isto é. E a uma velocidade tal que podemos afirmar que a nossa cultura está em permanente mutação. Só lamento não acreditar que a "nova" cultura será responsável pela criação de uma sociedade mais pura e despojada de ódio. Nem a arquitectura nem nenhuma área será capaz disso, penso. E certamente que a cultura adventista também será incapaz de nos por no Nirvana. Mas também não nos interessa um objectivo concreto, uma finalidade para a cultura. Ela interessa por si só, cumprindo a finalidade que só ela consegue, passando e filtrando informação relevante pela sociedade e pelos tempos ;)

23 janeiro, 2009 23:00

 
Blogger Joana D'Arq disse_

eu acredito numa sociedade melhor e mais justa...«muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente, a gente muda o mundo na mudança da mente» (gabriel, o pensador)...e acredito que a arquitectura tem um papel decisivo na criação dessa sociedade...não me refiro apenas a uma nova cultura, no sentido que dás à palavra, que essa evolui todos os dias e não faz de nós pessoas melhores, apenas com mais informação. Falo efectivamente de uma sociedade melhor, não perfeita ou ideal, mas melhor...e essa pode surgir quando conseguirmos abrir mentalidades. Como Taut, acredito na pureza, na luz, na cor, na transparência enquanto factores decisivos nessa mudança...Por exemplo, os estudos que se fazem com as crianças, sobre as condições de vida delas e de que forma isso afecta a prestação escolar...incidem sobretudo em quê? no espaço...onde vives? em que condições? onde estudas? onde fazes os trabalhos de casa? Isto prova que diferentes condições espaciais afectam a nossa formação e maneira de estar...quanto melhores forem as condições que nós, arquitectos (ou aspirantes), conseguirmos dar às pessoas, com mais legitimidade poderemos esperar comportamentos positivos da parte delas...

23 janeiro, 2009 23:29

 
Blogger Jacob disse_

Infelizmente, não acredito que nada nem ninguém possa erradicar certos problemas que nos acompanham há milhares de anos. Mais, embora a informação não nos torne pessoas melhores, permite-nos fazer escolhas informadas. Olha, por exemplo caso Palestina/Israel. Até quase aos anos 80 ninguém sabia muito bm o k s lá passava. Ouvia-se dizer, viam se fotografias. Mas não se ouvia o choro dum pai que tinha perdido os seus 5 filhos, como agora.Nem as atrocidades que um povo que se identifica só numa religião, comete. A própria cultura e identidade dum povo, nunca se confundiu tanto com uma religião. Judeus.Adiante, essa informação permitiu nos ver aquilo q somos. E o problema do mundo não são meia dúzia de pessoas. Somos todos nós. Mudaremos o mundo, apenas enquanto os nossos interesses estiverem alinhados com os do Mundo. Se é que ele pode ter interesse, e se é que se pode falar dum bem comum. Mas sim, concordo que a arquitectura tem um papel fundamental em muita coisa. Em especial sensações e emoções. E como a nossa memória a longo prazo está associada com emoções ( todos nos lembramos daquele dia em na escola em q fomos humilhados, mas já não nos lembramos dum dia cinzento, vulgar ) ela ajuda também a memorizar informação duma forma que passa despercebida. Claro que ainda há a cariz de utilidade. A arquitectura pode facilitar ou frustrar vidas. Mas disso devem saber certamente mais vocês que eu. Eu arquitecto, só de sistemas ;)

25 janeiro, 2009 22:48

 
Blogger Joana D'Arq disse_

Não sei até que ponto concordo com a tua visão negativa e pessimista do mundo. Por um lado creio que se não estamos cá para tentar criar um mundo melhor, mais valia nem estarmos...Nascemos para quê?! Procriar e morrer?! Sem deixarmos a nossa marca? sem lutarmos por fazer de um mundo um lugar melhor do que o encontramos? claro que o mal do mundo somos todos e não alguns casos isolados, mas isso não dever servir-nos, na minha opinião, para nos desculparmos por não fazermos o que podemos fazer.
Por outro lado...o que dizes sobre a informação...Não creio que o facto de termos acesso fácil a muita informação nos faça tomar melhores decisões. Em primeiro lugar somos constantemente manipulados pelos media e impedidos de pensar livremente, por outro lado o facto de vivermos num mundo onde o que conta é a velocidade, a informação rápida, na hora, ao alcance de um clic, mostra-nos tudo de forma muito superficial, não se aprofundam os problemas, não tenta perceber-se o mundo ou saber o porquê das coisas, porque não há tempo para isso. Ideal seria ao dispormos de mais meios, procurarmos mais informação e utiliza-la de forma a poder alterar alguma coisa...mas infelizmente isso está longe de acontecer...

26 janeiro, 2009 19:09

 

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