Sobre o Ensino da Arquitectura
Na proposta que fiz para a renovação do ensino na Escola de Arquitectura de Argel, eliminava uma série de disciplinas, prevendo outras a meu ver fundamentais.
Dava mais ênfase aos problemas das artes plásticas, insistindo na prática do desenho figurativo que dá ao arquitecto maior desenvoltura ao elaborar seus projectos. E com isso a intimidade necessária com os problemas da pintura e da escultura, nos quais a arquitectura, quando possível, deve-se integrar.
(...)
E insistia na ideia de que o ensino da Arquitectura não se deve limitar à arquitectura propriamente dita. Mas invadir todos os sectores de cultura que a meu ver se entrelaçam e completam.
Daí referir-me à necessidade do arquitecto - mesmo pela tangente - se informar melhor, ler muito, sentir o mundo que o espera, suas mazelas e inquietações. Só assim ele poderá, desinibido, defender seus projectos e numa linguagem simples e convincente explicar o que com desenhos apenas nunca é bem compreendido.
E ter presente que a arquitectura não se pode limitar aos desejos das classes dominantes, mas atender aos mais pobres que dela tanto carecem.
E ser intransigente na defesa desse mundo sem classes que desejamos e no qual a arquitectura assumirá, um dia, sua verdadeira identidade.
Dava mais ênfase aos problemas das artes plásticas, insistindo na prática do desenho figurativo que dá ao arquitecto maior desenvoltura ao elaborar seus projectos. E com isso a intimidade necessária com os problemas da pintura e da escultura, nos quais a arquitectura, quando possível, deve-se integrar.
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E insistia na ideia de que o ensino da Arquitectura não se deve limitar à arquitectura propriamente dita. Mas invadir todos os sectores de cultura que a meu ver se entrelaçam e completam.
Daí referir-me à necessidade do arquitecto - mesmo pela tangente - se informar melhor, ler muito, sentir o mundo que o espera, suas mazelas e inquietações. Só assim ele poderá, desinibido, defender seus projectos e numa linguagem simples e convincente explicar o que com desenhos apenas nunca é bem compreendido.
E ter presente que a arquitectura não se pode limitar aos desejos das classes dominantes, mas atender aos mais pobres que dela tanto carecem.
E ser intransigente na defesa desse mundo sem classes que desejamos e no qual a arquitectura assumirá, um dia, sua verdadeira identidade.
Oscar Niemeyer
Conversa de Arquitecto
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