30 janeiro 2009

Richard Serra

Richard Serra é um escultor minimalista nascido nos Estados Unidos da América em 1939. A sua obra centra-se hoje no uso de grandes placas de aço, embora tenha também já utilizado outros materiais, como borracha ou neon.

As obras de Serra caracterizam-se pela interactividade com o espectador, pois só as conhecemos verdadeiramente não depois de as olharmos mas depois de as experimentarmos.

Toda a obra é um jogo de sensações e de contrastes: o centro de gravidade e o equilíbrio, a massa e o vazio, a luz e o escuro, o largo e o estreito…O frio do metal, a sua textura e o seu cheiro. Tudo leva o utilizador num percurso de tomada de consciência dos seus limites corporais, perdendo-se na obra de Serra e ao mesmo tempo encontrando-se nela.

A experimentação da sua obra no Guggenheim de Bilbao inspirou em 2006 o último post e ganha agora todo um novo sentido ao inspirar o condutor de espaço. Que mais é ele senão o lugar de todos os contrastes, onde medo, curiosidade, mistério e descoberta se misturam?

27 janeiro 2009

Labirinto

serra2b Primeiro lentamente. Passos curtos e receosos. Depois impulsionado pela curiosidade, esse medo agradável, que prende e fascina. Percorres a sombra. Curva e contracurva. Por vezes restringido pelos pesados muros que se aproximam sinistramente. Outras, menos, perdido no vazio de tal amplitude. Caminhas, páras, surpreendes-te, recuas, corres, voltas a avançar. No escuro solitário. Por fim, amplo e luminoso...um beco sem saída.

Maio 2006

…E por aí algures, encontrar o condutor do espaço…

23 janeiro 2009

o Espaço das Relações

É interessante constatarmos a influência que o Espaço tem nas relações sociais…Não pretendo tornar este post num ensaio antropológico, apenas uma breve reflexão sobre a forma como vivenciamos o espaço.

Embora nem sempre refiramos o espaço quando falamos de relações, a verdade é que se trata de uma realidade sempre presente. Aliás, não existimos fora da espacialidade, o que é logo a priori uma condicionante.

Diferentes construcções espaciais influenciam as nossas atitudes e as nossas formas de agir e isso é bem visível nas salas de Projecto, por exemplo, onde passamos a maior parte do nosso tempo. As dimensões da sala, a disposição dos estiradores, a iluminação e o equipamento favorecem a comunicação, o debate, o trabalho em grupo.

Interessa-me particularmente o espaço enquanto representação social: a Escola de Arquitectura enquanto entidade simbólica e não material, que nos leva a reconhecer-nos como membros de um grupo comum e com identidade própria, mesmo fora de portas.

Enquanto (futuros) arquitectos temos nas mãos a capacidade de mudar o mundo, melhorando as condições espaciais em que as relações se desenvolvem. Como defendia Paul Scheerbart, Bruno Taut e Adolf Behne, é à arquitectura que cabe o papel criador de uma nova cultura, de uma sociedade mais pura e despojada do ódio.

22 janeiro 2009

Exigência ou Estupidez?

Tem dias em que, entre arquitectura e o suicídio, o suicídio chega a parecer uma possibilidade agradável.

Irónico e contraditório quando me dizem que o importante é viver a vida e aproveitar tudo ao máximo, sair, festejar, ir ao cinema, ler livros… e depois fazem exigências despropositadas de trabalho…Talvez se os dias tivessem 48 horas eu conseguisse fazer tudo isso e cumprir com o trabalho pedido, porque na verdade as 24 que tem não chegam nem para a segunda.

Trabalhar faz bem. A exigência faz de nós melhores. Mas até que ponto? Até que ponto é essa suposta exigência coerente, responsável, racional, justa e justificável? Até que ponto podemos exigir (aos outros) o impossível?

Diz-me que não devemos exigir demasiado de nós próprios, que não devemos ultrapassar os nossos limites…E no entanto forçam-no constantemente…

Se calhar acreditam que trazer-nos de rastos vai fazer de nós mais criativos e mais produtivos… anedótico não?

Palavras para quê? Vocês sabem qual é a sensação…

19 janeiro 2009

How hard can it be?


Às vezes tenho uma grande vontade de espancar certas e determinadas pessoas que parecem ter alguns problemas em entender o que é realmente um curso de Arquitectura…

 

Quantos de nós já ouvimos comentários do tipo «Ai quem me dera estar em Arquitectura! Pelo menos não tinha exames…» ou «É só fazer uns desenhos!! How hard can it be?»?

Também já ouvi comparar com a pré-primária…Afinal de contas, somos uns putos que brincamos com cubinhos e esferovite e fazemos uns rabiscos a marcador numas folhas grandes… How hard can it be?!

 

Para as pessoas que não sabem, um curso de Arquitectura implica trabalho a tempo inteiro. Mesmo quando aparentemente não se faz nada está a pensar-se em projecto. Mesmo quando se anda a passear na cidade recolhem-se informações preciosas. Noites mal dormidas e por dormir. Trabalho constante…

«Férias?!? Se queres férias estás no curso errado…»

RosmaninhoDS

 

…e bem…aí é que está a piada não? É isso que faz de nós quem somos…

Um Mundo de Referências

 

Tudo o que ouço e vejo é parte do que sou. Como se pode viver a Arquitectura de outra forma?

Criamos o mundo à nossa imagem, filtrado pela nossa subjectividade que por sua vez é formada à imagem de tudo o que vimos e ouvimos. Vivemos num incontornável mundo de referências. Somos criadores? Ou apenas re-inventores, re-intérpretes?

 

Não entendo o porquê desta aversão pela História da Arquitectura… não serão Wright ou Loos, por exemplo, referências inconscientes de todos nós? Porque não tentamos, então, transformá-las em referências conscientes?! ….(porque copiar é mais fácil?)

Fugimos de tudo o que nos dê um pouco mais de trabalho, procuramos respostas rápidas, mesmo que efémeras…

…quando um pouco de paixão bastaria…

17 janeiro 2009

Da importância do Vazio

Muitos raios se unem para formar a roda,
mas é o centro que a torna útil.
Quando modelas um vaso de argila,
é o espaço interno que o torna útil.
Talha portas e janelas para um quarto,
as aberturas é que as tornam úteis.
Do material vem o lucro;
do imaterial vem a utilidade.

Lao Tsé

 

Falo de relações espaciais. E de relações sociais. Quantas vezes partimos para novos relacionamentos se nos sentirmos preenchidos? (felizmente essa sensação nunca nos acompanha por demasiado tempo). É, em verdade, egoísta, no entanto nenhum de nós se relaciona socialmente de forma desinteressada.  É para colmatar os vazios que nos enchem que procuramos relacionar-nos. No entanto o vazio é inevitável, o motor da vida, que nos leva constantemente na procura por algo mais. Nenhum preenchimento nos é suficiente, por se tornar banal, por nos levar ao pior dos vazios: o de nada mais haver a procurar. O «cheio», em oposição ao «vazio», é um obstáculo ao relacionamento e à continuidade do percurso…

 

«Só conseguimos ter relações se tivermos o vazio entre nós.»

RosmaninhoDS

O mesmo acontece na Arquitectura…a existência material, o «cheio», só faz sentido enquanto delimitador de vazios e é neles que ganhamos verdadeira existência. O espaço só é espaço no vazio…

 

Acho eu.

Architecture or Suicide

Procurei hoje os Opúsculos da Dafne, dos quais já falamos aqui mas nunca é demais falar, e descarreguei o 16, só para experimentar...Pareceu-me um bom presságio ser Bernardo Rodrigues, por quem tanto procurei nos últimos dias, nesta minha busca pela arquitectura poética. Não resisti a escrever sobre isto ainda hoje...

Architecture or Suicide...se o título me pareceu sugestivo, não estivessemos nós num dos cursos com mais alta taxa de suicídios...o desenrolar da história não me desiludiu (não vou contar para não perder a piada).

Se é verdade que Arquitectura não é fácil e dá trabalho, não será menos verdade que é a paixão por ela que nos leva a continuar todos os dias, tentando sempre fazer mais e melhor...Somos mártires? Talvez um pouco...

«Happens that in the thin line dividing that daily negotiation; Architecture or Suicide,... we have been choosing Architecture.» Bernardo Rodrigues, Opúsculo 16


Se me deixou uma má primeira impressão não terá sido mais que o choque pela sua ousadia...será sempre uma referência incontornável...

16 janeiro 2009

Regresso

Estar num curso de Arquitectura leva-nos, inevitavelmente, a olhar o mundo de outra maneira. Abandonei este não-lugar há algum tempo por ter a sensação de que não tinha nada de novo a acrescentar. Mas o estar aqui (no curso) deu-me a vontade de pensar sobre as coisas e...porque não trazer esses pensamentos para este nosso não lugar?
Não terei, tal como antes não tinha, nada de novo para dizer, sou apenas uma recém iniciada que procura encontrar neste espaço mais um caminho para a sua formação...
Melhor que deixar morrer o não.lugar, não?

 

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