15 outubro 2009

Hope and Space

«e perguntam vocês o que é que isto tem a ver com Arquitectura. Se a Arquitectura é responder aos caprichos de meia dúzia de ricos que querem uma casa moderna, se á para fazer uns projectos megalómanos com umas curvas bonitas…então realmente não tem nada a ver com Arquitectura. Mas se pelo contrário a Arquitectura é resolver problemas concretos e ajudar a construir um mundo melhor, então sim: isto é Arquitectura!»

Luca Bonifacio (deturpado pela minha má memória)

Num mundo de extremos controlado por uma curta percentagem de 20% da população e no qual 30% da habitação não cumpre com as condições mínimas de salubridade e segurança, Luca Bonifacio encontra uma vantagem poderosa: é nas situações de crise que somos forçados a estabelecer prioridades.

Actualmente a trabalhar com a UNICEF na construção de escolas em território angolano, Luca Bonifacio trabalhou já em diversos contextos, como o Afeganistão, a Birmânia e, mais mediático, na resposta ao tsunami no Sri Lanka.

Em comum estes projectos têm a vontade de promover o desenvolvimento mais do que dar respostas efémeras e provisórias, em acções congeladas no tempo. Nesse sentido, a valorização de factores psicológicos, éticos e culturais é essencial para uma melhor integração do projecto junto das populações. Os beneficiários são envolvidos directamente em todo o trabalho – tanto no momento das decisões projectuais como na construção efectiva, ao constituir uma percentagem importante senão a totalidade da mão-de-obra. E neste aspecto, Luca Bonifacio destaca a importância do arquitecto que, mais do que técnico ou projectista, assume o papel de mediador político, sindicalista, provocador social. Assim, há que procurar sempre manter a coerência com a identidade do projecto humanitário, lutando para conseguir regras justas para os trabalhadores, assegurando, por exemplo, condições de segurança e da igualdade de género.

O provérbio chinês «não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar» parece ser o lema destas operações. Com o envolvimento directo da população, em conjunto com a utilização de sistemas e materiais construtivos tradicionais e contextualizados demonstra-se que é realmente possível conseguir um espaço mais digno com os meios disponíveis e sem necessidade do constante apoio das ONG’s, estimulando a autonomia. Para além disso, esta opção tem vantagens directas no orçamento do projecto, no desenvolvimento da economia produtiva local, nas facilidades de manutenção, já para não falar da sustentabilidade ecológica e de se tratar da resposta mais adequada às condições climatéricas locais.

Procurando o máximo proveito ao mínimo custo, Luca Bonifacio conclui que «os piores projectos são os que não chegam a concretizar-se».

1 Comentários:

Blogger Paulo Mendes disse_

Sinceramente, e depois de ter assistido à conferência deste senhor, continuo perplexo e de alguma forma sem palavras para descrever o prazer que tive em o ouvir falar e apresentar os projectos.

19 outubro, 2009 21:30

 

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