22 outubro 2006

O Perfumista

“Tu dizes que ela se deitou nas ervas em cima de umas sacas velhas e que sentiste os seus peitos nas tuas mãos, como se fossem frutos a medrar ao sol, o sabor acariciante dos seus lábios molhados a roçarem os teus, o abismo negro dos seus olhos a entrar dentro de ti.(...) Tu lembras-te de a ver nua, tremendo de frio, de loucura ou de desejo. Ela diz que não era frio, nem loucura, nem desejo. Era medo. Medo de te perder.”

Joaquim Mestre, O Perfumista

11 outubro 2006

Hoje mataram-me. E morri-me. Não sei mais o que sou. Talvez nada ou ninguém. Do que fui não restam já vestígios. E saudades nem vale a pena. Não sei se quer se quero saber. Se sou. Ou fui. Ou porquê. Ou porque já não sou...Ou o que serei então...Antes fosse nada e não sentisse. Não falasse. Não agisse. Quem dera poder morrer no desespero das lágrimas e desaparecer. Morrer inteira, rapida e verdadeiramente. Não aos poucos, esmigalhando lentamente cada bocadinho do que fui. Não sei o que quero para mim. Nem se quer o que é o mim. Mas sei que não é isto. O mim não é isto. E não é isto que o mim quer. Estou cansada. Farta! Saturada! Ao matares-me morres-te em mim. E isso eu também não quero. Não te quero morrer. Prefiro fugir. E matar-me sozinha. Longe daqui e de ti. Porque já não sei o que sou e vida assim não é vida. Quero parar de respirar. Faltas-me o ar mas os pulmões enchem e o coração bate. Existir. Quem? Onde? Não sou eu seguramente...Porque eu não sou mais eu e náo estou onde mas algures...perdida. Ajudas-me a encontrar-me? Caminho sem retorno. Encontrar-me para quê?! Se não posso voltar...
Hoje mataram-me. E quem me matou fui eu. (Qual eu?)

05 outubro 2006

Realidade Fingida

No coração do silêncio
No coração da noite
Eu vivo todos os não vividos sonhos
Sonhados com todo o cuidado
No coração do medo
No coração das trevas
Eu grito os gritos que ficaram presos
E nunca chegaram a ser gritados
No olhar triste de um mal entendido
No olhar triste de algo incompreendido
Eu sou a razão pela qual nunca perceberás...
E nunca viverás em paz!
No sentir de um gesto pouco claro
No sentir de um toque pouco sincero
Eu irei fingir que fiquei feliz
E irei fingir que foi assim que quis!...
Chorando lágrimas que não saem
Sorrindo sorrisos que não queriam ser
Viverei para sempre numa mentira verdadeira
Num sonho que ficou pesadelo
Numa vida que se assemelha a uma morte pouco descansada.
Olhando para dentro de mim mesma, vendo todo o meu pecado
Tudo o que sou, tudo o que não devia ser
Toda a felicidade que pensa ser real para esconder a enorme dor
Todo o amor que não há mas que sonha em estar lá
O fantasma que me segue calado e que se enconde quando olho
O diabo que se mostra sem eu olhar e se ri de mim...
O odio que carrego e me pesa cada dia que passa
A inveja mascarada de uma vida
O orgulho que está perdido por entre a vergonha
O anjo que cai
O demónio que sobe
A inocência que já não é
A total maturidade que nunca será...
E o dia seguinte, e a noite que se aproxima...
O sono que não chega
O medo que não sai...
O olhar de desespero que não desaparece
E a vida que se vai...
Sou apenas uma lágrima à espera que tu chores...
Para desaparecer
Para sempre...

*DeathAngel*


Gostei demasiado para conseguir guardá-lo só para mim...

 

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