31 maio 2006

para b. ...arquitectura (de interiores?)

"Dir-se-á que um arquitecto, quando projecta, elabora mentalmente e através do desenho, um todo coerente que tenta responder às simultâneas questões postas por programas, sítios, cidades, orçamento e pela sua (dele, arquitecto) própria cultura, capacidade de síntese e sensibilidade. Esse "todo coerente", o objecto de arquitectura, não é só "exterior" nem só "interior" mas inteiro: um organismo complexo cuja aparência externa é função de determinadas regras que a sua interioridade ditou, construída esta a partir da conjugação de diversas necessidades, exigências, ou dos múltiplos desejos de forma ou expressão da sua aparência ao mundo.(...)"

in revista architécti (33), por Manuel Graça Dias


]]Li isto ao folhear a revista, pareceu-me interessante dado que queres tu ir para 'interiores'..

29 maio 2006

arquitectura ou iconografia?



Li esta semana um artigo numa nova revista de arquitectura (neste momento já se devem ter apercebido da minha insistência neste tema..) sobre uma obra a ser construída em Bragança ( e para quem não sabe, a minha terra natal..), vencedora dum concurso para um "Centro de Interpretação do Parque Natural de Montesinho". Mal li estas palavras fiquei curioso, inda para mais tendo já lido sobre os 2.º e 3.º prémios desse concurso...

Olhei as primeiras imagens...Susto! Grande susto...um objecto, estranho, qual "calhau" emergente da terra, que fará agora companhia aos Touros da rotunda..

Na envolvente, de um lado a cidade, prédios de 8 andares - penso - e uma rotunda com 1 escultura onde dois touros denunciam a proximidade do mundo rural. Do outro, um parque, arborizado, com pretensões de futuramente vir a ser usado pelos cidadãos...o edifício situa-se num espaço de transição entre o urbano e o 'natural'(não o rural). O que a Arkibyo faz? Uma escultura. Citando: "Pretende-se que a proposta seja lida como uma intervenção iconográfica em consonância com o terreno e com um espírito fortemente enraizado nas tradições da arquitectura vernácula da "Terra Fria Transmontana" marcada por um carácter celular e tectonico".

Pela sua escala, parece-me que não faz uma transição muito pacífica entre aqueles dois planos nem se impõe enquanto edifício de referência que deveria ser. Além do mais, o edifício tem um programa que não pode ser seccionado em pequenas células como é feito numa alusão à 'arquitectura vernácula' das aldeias, onde se construía sem planeamento e o programa -habitacional- é muito reduzido e independente de 'célula' para 'célula'..
Alguma coisa terá de bom, vantagens frente à casa da Música: usa materiais locais e a implantação está presa à topografia.

A questão: será mais importante a arquitectura ou o edifício enquanto ícone?

[+ referências: Cannata&Fernandes intervêem na malha urbana -ou rural?- de uma aldeia transmontana com uma atitude mais feliz]

25 maio 2006

Um não lugar...

Perdi-me. Encontrei-me e voltei a perder-me. E agora dou por mim n'O não lugar. Só, no escuro iluminado vazio. Vejo nada. Mas sinto o tudo pairando à minha volta, desejoso de ser agarrado. Com os sentidos em constante conflito, sinto que na escuridão algo me roça ao de leve. Não sei ainda o que é, mas desta vez vou conseguir agarrá-lo e voar com ele. Faz parte do tudo que é o nada neste imenso e preenchido vazio d'O não lugar. O lugar onde podes voar, sonhar e viver um outro viver...Talvez aqui, ou lá, atrás do arco-íris, algures...

chapelle notre-dame du haut_ronchamp


"400km depois de Lyon, o percurso mostra-se curioso, uma estrada pouco movimentada, o verde domina a paisagem, acompanhado de vacas, o autocarro anda, anda, pára. É ali? Não se vê, anda-se – agora a pé - algumas dezenas de metros, sempre em rampa, não se olha, não se vê….surge! Primeira impressão: um volume enorme, reboco grosseiro, branco.
Por entre fotos e os primeiros riscos tenta-se registar aquele “objecto” (onde está já o rigor métrico da “unité d’habitation”?), percebê-lo: os volumes, as sombras, as texturas. Rude, brusco, orgânico, pesado. A escala é gigantesca (falamos de uma capela…) mas não perturba, o edifício enquadra-se admiravelmente na natural envolvente, valoriza a paisagem.


Entra-se, tudo muda. A escala reduziu-se, a luz também. O espaço provoca agora sensações diferentes, é agora mais justo, mais contido. A subtileza no pormenor, os vitrais, a luz que pontua um ambiente escurecido, que desce forte as torres e chega ao chão ténue. LeCorbusier criou um espaço que sobrepuja a simbologia religiosa do transcendente, é antes humano, introspectivo.

Amálgama de sensações, extremas no exterior e no interior…As fotos não reflectem, nem tampouco esclarecem…

23 maio 2006

Unité d'Habitation

Para o header do blog escolhi uma foto tirada por mim à 2semanas num lugar espectacular em Firminy, França.
Não com a amplitude programática do seu 'irmão' de Marseille, este edifício - de habitação social - reflecte toda a genialidade de LeCorbu...

Além do mais, permite-nos cenários fotográficos tão fantásticos como este...

(se alguma coisa está aqui mal é o ter associado esta foto a "Um Não Lugar"...)

22 maio 2006

a nascer..

Este é o primeiro post deste blog..

Para já sem qualquer linha orientadora de publicação, vou postando aqui algumas coisas...espero que de interesse..

 

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