25 maio 2006

chapelle notre-dame du haut_ronchamp


"400km depois de Lyon, o percurso mostra-se curioso, uma estrada pouco movimentada, o verde domina a paisagem, acompanhado de vacas, o autocarro anda, anda, pára. É ali? Não se vê, anda-se – agora a pé - algumas dezenas de metros, sempre em rampa, não se olha, não se vê….surge! Primeira impressão: um volume enorme, reboco grosseiro, branco.
Por entre fotos e os primeiros riscos tenta-se registar aquele “objecto” (onde está já o rigor métrico da “unité d’habitation”?), percebê-lo: os volumes, as sombras, as texturas. Rude, brusco, orgânico, pesado. A escala é gigantesca (falamos de uma capela…) mas não perturba, o edifício enquadra-se admiravelmente na natural envolvente, valoriza a paisagem.


Entra-se, tudo muda. A escala reduziu-se, a luz também. O espaço provoca agora sensações diferentes, é agora mais justo, mais contido. A subtileza no pormenor, os vitrais, a luz que pontua um ambiente escurecido, que desce forte as torres e chega ao chão ténue. LeCorbusier criou um espaço que sobrepuja a simbologia religiosa do transcendente, é antes humano, introspectivo.

Amálgama de sensações, extremas no exterior e no interior…As fotos não reflectem, nem tampouco esclarecem…

 

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