27 março 2009

MV/C+V

A exposição MV/C+V, patente no Centro Cultural Vila Flor, apresenta uma grande diversidade de conteúdos, no âmbito das artes plásticas, desde fotografia a instalações interactivas, passando pelo desenho, pela performance e pelo vídeo. Todas as obras são da autoria de artistas vimaranenses, doze no total, que para além da naturalidade têm em comum o facto de terem estudado na ESAP de Guimarães. O nome escolhido, a fórmula do lucro, contrapõe-se de forma um pouco irónica à exposição propriamente dita, pela variedade das obras expostas, nas quais não é possível encontrar uma regra ou impor uma fórmula, de tal forma são tão diferentes e autênticas, tanto pelos formatos utilizados como pelos seus conceitos.

Destaco o trabalho fotográfico de Carlos Lobo, o vídeo de Luís Ribeiro e a instalação de Fúlvio Mendes, como peças mais marcantes desta exposição, que, enquanto obras de arte abertas e polissémicas, deixam espaço a que o observador se torne também criador no momento em que contempla a obra e projecta nela os seus anseios e experiências, atribuindo-lhe uma significação pessoal.

Na série de fotografias «Far Far East», de Carlos Lobo, encontramos paisagens naturais e urbanas asiáticas pela perspectiva do artista, que nos levam a reflectir sobre a ausência de realidades universais, tanto pelas diferenças encontradas entre as paisagens do «far far east» e a europa ocidental mas também, e sobretudo, por essas realidades nos surgirem sempre filtradas pela subjectividade, neste caso concreto do fotógrafo, na sua escolha de enquadramentos e de composições.

O vídeo «Different Ways to Distract You», de Luís Ribeiro, prende fixamente a atenção do espectador com as frases «olhe atentamente» e «viu o que aconteceu?» - não será esta a principal distracção criada pelo artista? O observador procura teimosamente por algo que talvez nem exista, abstraído do real e cegamente concentrado em procurar respostas para o desafio lançado no início da projecção. A estes factores primordiais de distracção aliam-se o ambiente sonoro criado e os diferentes efeitos de vídeo, como a dupla projecção.

Finalmente, a obra de maior destaque da exposição, tanto pela sua originalidade, pelo seu carácter conceptual mas também pelo impacto criado no público, a instalação «Em Finito» de Fúlvio Mendes. Tudo começa com o jogo de palavras do próprio título: «Em finito»/Infinito, alertando-nos para o que poderemos encontrar para lá da porta. No escuro e sem grandes noções espaciais, perdemo-nos de nós próprios, sem percepção da verdadeira distância a percorrer, em finito mas num caminho aparentemente sem fim. Ao longo do percurso o observador toma parte essencial do objecto artístico e encontra-se consigo próprio, num jogo de sensações em que toma consciência dos seus limites corporais e enfrenta os seus medos. E ao final do túnel…ele próprio.

20 março 2009

Liberdade

 

Filhos dos Maios de 68 e dos Abris de 74 por este mundo fora encontramos uma geração de jovens desorientada e sem rumo, sem valores ou ideais, submersa no tédio de um quotidiano banal. Nasceram livres e foram criados rodeados de tudo o que à geração anterior faltou. Assim de fácil. Liberdade é só uma palavra mais vã a cada dia que passa.

16 março 2009

E após 3 semanas de recolhimento…

…conclui que embora a paixão não salve o barco ajuda a que ele navegue mais tempo…mesmo a paixão pelo vazio…

Abdicar da paixão só pode tornar as coisas ainda mais difíceis. Por isso, aqui voltei, ao não lugar onde a perdi e onde espero reencontrá-la.

 

Why not?

 

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